Alta do petróleo vira o jogo no setor de açúcar
O cenário traz efeitos distintos para o setor
O cenário traz efeitos distintos para o setor - Foto: Agência Petrobras
A intensificação do conflito no Oriente Médio já começa a provocar reflexos diretos sobre o setor sucroenergético brasileiro, ao alterar a dinâmica de preços no mercado internacional de energia. Segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros, a valorização do petróleo tem elevado os custos de produção de açúcar e etanol no Centro-Sul do país.
Desde 28 de fevereiro, o Brent acumula alta superior a 40%, enquanto estimativas do Preço de Paridade de Importação indicam avanço de 48% na gasolina e de 91% no diesel. No mercado interno, o diesel B já registra aumento superior a R$ 1,00 por litro, com média de R$ 1,26 até 21 de março. Em São Paulo, a elevação foi de 12%.
O cenário traz efeitos distintos para o setor. O petróleo mais caro tende a sustentar os preços do etanol, mas a alta do diesel pressiona os custos operacionais, especialmente nas atividades agrícolas. O combustível tem forte peso na estrutura de custos, com correlação de 97,46% com o custo agroindustrial nas últimas 19 safras. A cada R$ 1,00 de aumento no litro, o impacto pode variar entre R$ 29 e R$ 36,5 por tonelada de cana.
Mesmo com a isenção de tributos federais, o reajuste de R$ 0,30 por litro aplicado em março limitou o alívio nos preços. No mercado de fertilizantes, a pressão também cresce, com alta de produtos como ureia e MAP, influenciada por restrições de oferta e aumento nos custos de energia e frete.
Para a safra 2026/27, a estimativa é de custo de produção do açúcar VHP em R$ 1.730 por tonelada na usina e R$ 1.875 FOB. Com o câmbio entre R$ 5,20 e R$ 5,30, o ponto de equilíbrio varia de US¢ 15,40 a 17,01 por libra-peso, enquanto as cotações operam próximas desse nível.
Apesar da pressão, ganhos de produtividade, redução de investimentos no canavial e queda no preço do ATR devem contribuir para aliviar parcialmente os custos. Ainda assim, o cenário tende a favorecer maior direcionamento da cana para o etanol, diante da melhora relativa na competitividade do biocombustível e da compressão das margens do açúcar.